em novembro sai uakitingo-tapogingo / amor-humor, plaquete escrita com yamaluí kuikuro mehinaku, pelo círculo de poemas, a coleção de poesia da fósforo.
a edição traz desenhos de ahuseti larissa kuikuro e já pode ser reservada em https://circulodepoemas.com.br/caixa-do-mes/
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uakitingo-tapogingo / amor-humor
Daniel Massa e Yamaluí Kuikuro Mehinaku
Esta é uma plaquete fruto de encontros: tudo nela começa com o encontro poético entre as vozes de Daniel Massa e Yamaluí Kuikuro Mehinaku, entre o português e o kuikuro, entre o amor e o humor. E, sobretudo, entre homens e mulheres no território indígena do Xingu (MT), onde viver e amar são uma mesma coisa, e a mais importante delas.


Em quarenta poemas (metade em português, metade em kuikuro, porque não são exatamente traduções, mas espelhos livres uns dos outros), entremeados aos desenhos de Ahuseti Larissa Kuikuro, somos apresentados a um universo em que o amor tem cheiro de pequi, voa pela aldeia, balança na rede; em que a amada “é mais bonita que um filhote de onça dormindo no sol” e o “namorado parece uma capivara”. Nesse jogo, as imagens trocam de pele, passeando entre as línguas para tentar desvendar até onde o amor, lá e cá, é capaz de nos fazer voar: “um pássaro cheio de saudade/ só voa perto do chão”.
Nesse laço bem-humorado entre poemas de amor, o trânsito entre as línguas e as poéticas também simboliza outras formas de união. Historicamente, para os povos originários, aprender línguas sempre foi algo fundamental para as alianças com outras aldeias e, claro, para dialogar com os não indígenas. Mas, também, serviu para dar conta de um amor que não cabia em nenhum território. E se muitas vezes a língua dos brancos é sinônimo de violência, aqui ela se dobra para aprender e viver outros amores com a poesia kuikuro.

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