





quando menino, a principal excursão da escola era para a bienal do livro, no riocentro.
era um evento.
sair da cidade já valia por si só, mas estar na capital, pegar a estrada, atravessar os túneis, tudo era coisa muito grande para as crianças saquaremenses.
para mim, valia também oportunidade de ver (e às vezes comprar) livros, já que a cidade nunca teve uma livraria e a nossa biblioteca municipal era bem mirradinha.
no entanto, a bienal do livro em si não era tão atrativa assim aos olhos dos meus amigos. então para ter quorum e fechar a excursão, a escola ofertava a dobradinha: bienal do livro + barra shopping.
as crianças chegavam no riocentro já querendo sair e aí ficava um cabo de guerra. eu e uns poucos, porém, batíamos o pé: a gente só sai daqui depois de ver tudo. criamos algumas inimizades, claro, mas a coisa se resolvia quando o pessoal chegava no barra shopping e corria para o mc donalds ou para os fliperamas.
na volta, as quase três horas de viagem até em casa passavam voando. alguns com o mc lanche feliz, outros com o livro.
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estive ontem na feira literária de saquarema (flis) ao lado de eliane potiguara.
foi bonito falar em casa para professores, alunos, amigos, familiares. foi mais bonito ainda porque pudemos conversar sobre literatura e sobre a questão indígena em geral.
agradeço enormemente à prefeitura de saquarema e à curadoria do evento pelo convite. agradeço, sobretudo, a eliane pela generosidade e carinho. estes encontros a gente carrega para sempre na memória.
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não pude deixar de pensar enquanto caminhava pela flis o quanto o menino daniel gostaria estar ali.
mas quem viu de perto, e esteve atento, percebeu que ele nunca foi a lugar nenhum.

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