o último capítulo de “fio d’água” traz um dilúvio amazônico. neste poema, penso em um rio que não recua, mas avança metro a metro para tomar o que lhe é de direito.
e toda manaus será o bodozal,
toda manaus será a antiga cidade flutuante,
toda manaus se curvará ao rio negro ou não mais será.
há os que veem o apocalipse. são esses os que manilham igarapés, aterram igapós para abrir estradas na floresta, os que crescem de costas para o rio e o entendem como empecilho para o anunciado progresso.
mas há os outros. e para esses não há surpresa nenhuma, porque eles sabem que na amazônia tudo é rio.
exceto o que não é.
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escolhi gravar o último poema do livro em frente à banca do largo de joaquim melo. a banca também está neste poema, como toda manaus, submersa.
mas depois eu pensei melhor e acho que isso nunca aconteceria, porque certamente joaquim arranjaria duas toras gigantes de assacu, amarraria uma de cada lado da banquinha e criaria uma livraria flutuante.
acho que é a cara do joaquim.
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Voz: Daniel Massa
Edição: Daniel Massa
Câmera: Gabriela Rezende
livro disponível em https://7letras.com.br/livro/fio-dagua/

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