leitura de “fio d’água”, de daniel massa, publicado pela editora 7letras (2022). capítulo 17: “flutuante”.
o meu primeiro mergulho no rio negro foi num flutuante. acostumado com sal, fui afundando igual a um prego na água preta. a sensação era de que algo me puxava ao fundo enquanto eu batia as pernas e tentava fingir naturalidade.
depois fui acostumando.
desde o rio novo pra lá de cucuí, na venezuela e colômbia, passando pelo pedral de são gabriel, até chegar no rio urbano cheio de óleo e plástico da balsa amarela: são muitos os rios no rio negro.
a vontade é sempre de mergulhar em todos eles.
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“flutuante” foi o capítulo mais difícil de ser escrito no livro. eu sabia o que queria dizer, mas não encontrava a forma.
era claro que aqui precisaria estar o clímax do livro, a relevação sobre a filiação de moisés e o seu encontro com o rio negro. como fazer isso mantendo o suspense? como deixar claro o que eu queria que fosse escamoteado?
não sei bem quantas, mas foram inúmeras tentativas antes de chegar ao resultado final.
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aqui temos um poema que bate as pernas desesperadamente para não afundar enquanto finge naturalidade.
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voz: daniel massa
edição: daniel massa
câmera: gabriela rezende
livro disponível em https://7letras.com.br/livro/fio-dagua/

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