leitura: “fio d’água”, capítulo 16

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a petrobrás acaba de anunciar o fim do preço de paridade internacional implementado desde 2016. a partir de amanhã haverá uma redução imediata de 21,3% no gás de cozinha, 12,6% na gasolina e 12,8% no diesel, que deve alcançar o consumidor final. no caso da gasolina, o preço do litro cairá até 40 centavos nas bombas.

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em “carona”, moisés ignora o apelo mudo de orsina. a pouca gasolina no tanque será usada para ir até ponta negra, desfilar com seus anzóis em brilho o par.

no momento em que a narrativa caminha para o que poderíamos chamar de clímax, o conflito entre avó e neto alcança o limite. é como se orsina saísse de cena e moisés pudesse finalmente estar de frente com seu destino.

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a primeira versão deste poema trazia um diálogo entre as personagens em discurso direto. no entanto, eu substituí as falas por este trecho.

“talvez uma palavra qualquer palavra
o corpo do que
ele quer dizer mas
não diz é preciso claro
uma palavra algumas e não há isca
para buscá-las seja lá onde estão
em que rio se escondem em que rio adormecem
inertes na corrente olhos abertos
palavras como peixes que dormem
de olhos abertos
palavras como moisés como peixes que dormem
de olhos abertos
misturam-se à corrente: uma coisa
só que não diz e não
cessa de se dizer”

isso porque ficou claro que a esta altura não havia mais nada a dizer que já não estivesse dito. 

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voz: daniel massa
edição: daniel massa
câmera: gabriela rezende
livro disponível em https://7letras.com.br/livro/fio-dagua/

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