em “a fome” a referência aos modernistas perde a vergonha de aparecer. coincidentemente (ou não) “fio d’água” é publicado cem anos depois da semana de 22. cem anos é muito chão, mas se pensar bem passa rápido.
*
o padre gaspar de carvajal intitulou sem modéstia as suas crônicas de viagem pelo rio amazonas de “relación del nuevo descubrimiento del famoso río grande que descubrió por muy gran ventura el capitán francisco de orellana”.
tem uma parte que me chama particular atenção, quando ele narra, diante da fome, a necessidade de ferver em água o couro dos sapatos e das vestes para cozinhar um caldo que pudesse alimentá-los. não sei dizer o que sinto, mas pena não é.
*
neste capítulo, moisés geleroso tem fome e quer comer gente. de caixa laranja nas costas, entrega comida para gente que come para que possa comer gente.
*
voz: daniel massa
edição: daniel massa
câmera: gabriela rezende
livro disponível em https://7letras.com.br/livro/fio-dagua/

Deixe um comentário