há algum tempo as lentes dos meus óculos estão todas arranhadas. parece até que eu esfreguei uma esponja de aço em cada uma. por isso sinto quase uma vergonha, além de todo problema para enxergar. pensei em trocá-las no final do ano passado, mas aí resolvi fazer depois da viagem e não fiz até hoje. nem sei mais como é ver o mundo limpo.
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em são gabriel da cachoeira o sol é tão forte que incomoda a gente que não está acostumada. as fotos ficam muito bonitas com tanta luz, mas às vezes é demais. meus óculos escuros não têm grau. então se eu escolho usá-los, pode ter certeza de que não estou vendo muito bem. então eu pouco uso óculos escuros mesmo quando há muita luz.
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moisés não sabe não ver. os olhos de peixe não piscam, e mesmo em sono permanecem abertos. aí entram os óculos escuros: a lente escamoteia, dá um descanso. neste capítulo, o flerte se dá não por aquilo que se mostra, mas pelo que se esconde. é também uma brincadeira com lacan, claro.
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voz: daniel massa
edição: daniel massa
câmera: gabriela rezende
livro disponível em https://7letras.com.br/livro/fio-dagua/

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