leitura: “fio d’água”, capítulo 11

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dpvat foi o primeiro capítulo escrito em “fio d’água”. é engraçado pensar que o livro começou no que hoje é a sua metade e depois foi encorpando para um e outro lado.

eu gosto de trabalhar com post-its. sempre que inicio um projeto, vou colando um monte de quadradinho amarelo na parede. aí eu consigo mudar as coisas de lugar, cortar excessos, enxergar buracos que precisam ser tapados.

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numa das minhas histórias de sonambulismo quando pequeno, meus pais contam que eu fui até o quarto deles, dei três voltas na televisão que ficava disposta num móvel no meio do cômodo, saltei os fios da tomada e da antena nas três vezes e voltei para dormir na cama.

aquela imagem do sonâmbulo de desenho animado, olhos fechados e braços esticados feito zumbi, não condizia muito com o que acontecia. eu andava de olhos abertos, pulava sobre objetos, me deslocava com certa facilidade. só não lembrava de nada.

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neste poema, moisés cochila no ônibus e desce no meio de uma das avenidas mais movimentadas de manaus, onde é atropelado por uma carreta. com o dinheiro do seguro dpvat, ele dá entrada numa moto com a qual ambulará pelas ruas da cidade como entregador.

pensando melhor até que faz sentido o livro começar por aqui.

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voz: daniel massa
edição: daniel massa
câmera: gabriela rezende
livro disponível em https://7letras.com.br/livro/fio-dagua/

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