leitura: “fio d’água”, capítulo 10

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o fenômeno das galeras está aterrorizando manaus. é mais ou menos com essa voz que wallace souza fala no programa canal livre. o que surge em seguida é a imagem do repórter acompanhando a operação policial. entre barracos de madeira, homens descalços e sem camisas são presos sob o olhar atento de outros moradores. a câmera em movimento lança uma luz forte sobre o galeroso, que prefere abaixar a cabeça e manter o silêncio diante do microfone. 

no estúdio, wallace está revoltado.

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a partir dos anos 90, o tráfico de drogas sudestino descobriu uma importante rota de importação na amazônia. mesmo com a floresta, a alternativa se justificava diante do recrudescimento da situação na fronteira com o paraguai. aos poucos, as galeras foram substituídas por facções como comando vermelho e pcc. 

tem um tempinho que a delegacia especializada de combate às galeras foi extinta.

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galera é uma palavra que uso muito com os meus alunos. eu esqueço, mas às vezes eles me lembram que galera é uma embarcação de guerra.

galera, atenção aqui por favor. galera, olha o decoro. galera galera, vamos maneirar a voz. 

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o mais difícil neste capítulo foi maneirar a voz. em todo o romance, a preocupação sempre esteve em quem narra e como narra. neste poema, misturo três vozes: orsina, moisés e a outra. aí os discursos se embolam também. não é tão fácil, porque o protagonista do livro não fala. posso até estar enganado, mas a única vez em que abre a boca no em todo romance é para dizer eu sei o que tu vai falar. o engraçado é que ele estava errado.

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voz: daniel massa
edição: daniel massa
câmera: gabriela rezende
livro disponível em https://7letras.com.br/livro/fio-dagua/

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