a banca do largo de joaquim melo

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já estive na @banca_do_largo muitas vezes. a primeira tem quatro anos. eu estava no antigo café do musa, tomando um expresso e lendo a piauí do mês. logo no início apareceu o texto da banca. fiquei fascinado: a história de joaquim melo, a possibilidade de testemunhá-la a poucos passos, a coincidência que eu não saberia nomear de outro modo. corri pra lá, mas estava fechada. tirei uma foto bonita do pôster do milton hatoum e coloquei a cara na vidraça tentando ver o que tinha dentro.

depois disso voltei a manaus muitas vezes. em todas elas eu passei na banca do largo. só uma vez eu entrei, mas tava cheio de gente. “depois eu volto”, pensei.
no meio disso tudo escrevi “fio d’água”. o último poema dá nome ao livro e tem o subtítulo “tudo submerso ou o último dia”. nele, a água vem reivindicar o que lhe é de direito e toda manaus será, finalmente, o rio negro.
até a banca do largo de joaquim melo. esta é a imagem que me é mais bonita. talvez eu nem tenha conseguido criá-la de modo competente no poema. mas daqui eu vejo a banca embaixo d’água e todo o acervo calmo entre peixes e matéria orgânica, aguardando escafandristas que virão explorar os vestígios de estranha civilização sob a ácida água preta.
na semana passada eu contei isso tudo para joaquim melo e ele ficou emocionado. eu também fiquei. desde então, nos falamos por telefone e “fio d’água” chegou até as suas mãos. mas a generosidade de joaquim não cabe no largo de são sebastião e é através do seu convite que “fio d’água” será lançado dia 21 de janeiro de 2023 na banca do largo.
pensei numa imagem legal pra todo mundo entender, como jogar no maracanã ou tocar no carnegie hall. mas não é bem isso.

o que me vem à cabeça é um domingo, em janeiro de 2020, em que fui almoçar sozinho no largo e fiquei tomando uma cerveja olhando a banca do outro lado da rua. aí armou o maior toró e antes que conseguisse ir embora já tava chovendo. a banca fechada. parei ali embaixo da cobertura, ao lado de uma senhora com a sombrinha quebrada. nós dois abrigados vendo a água cair. quando estiou, ela abriu a sombrinha torta e foi. não demorou muito, também segui. fiquei pensando: “depois eu volto”.
dia 21 de janeiro eu volto.

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