biblioteca indígena do xingu: uma história

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este post é a tentativa de explicar objetivamente um pouquinho do que foram os últimos meses.

durante o ano passado, juntamente com rafael zacca e lorena fonte, trabalhei para construir uma das coisas mais bonitas que já fiz na vida: a biblioteca indígena do xingu.

tudo começou com um convite do cineasta takumã kuikuro e do diretor da escola estadual indígena central karib, mutuá mehianku. desde então, sonhamos, buscamos parceiros, arrecadamos doações e nos organizamos para executar o projeto entre o final de dezembro e boa parte de janeiro.

pensamos como biblioteca não somente o acervo, mas um centro de ações e encontros. e essas são algumas das coisas que fizemos:

1. compramos e transportamos cerca de 300 livros para a formação do acervo inicial. além disso, levamos materiais didáticos diversos a serem utilizados pelos alunos.

2. promovemos encontros de capacitação com os educadores locais, totalizando 90 horas de formação continuada sobre práticas pedagógicas. aprendemos e ensinamos tendo como norte o trabalho de paulo freire para educação popular;

3. trabalhamos com letramento literário em conexão com o debate sobre os mitos, as narrativas tradicionais, as questões climáticas e os perigos da ocidentalização do mundo.

4. realizamos oficinas de poesia, com tradução de textos para o karib e escrita autoral. publicamos dois livros utilizando a gráfica que montamos na biblioteca, com mimeógrafo, guilhotina, grampo-canoa e papéis especiais. em breve vamos digitalizá-los e disponibilizar em versão online.

nossa ação durou 20 dias. o trabalho foi voluntário. todo o dinheiro arrecadado foi utilizado para compra e transporte dos materiais. nós, os professores, arcamos com nosso transporte e alimentação, já que do contrário seria inviável realizar o projeto.

agradeço enormemente a todos que nos apoiaram e me despeço com paulo freire, presente em toda a nossa trajetória:

“a teoria sem a prática vira ‘verbalismo’, assim como a prática sem teoria, vira ativismo. no entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade.”

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